Cidade 26/08/2026

Villa Adolpho

 Villa Adolpho

Pesquisa de Nelson  Bassanetti (Explicação do nome de Villa Adolpho)

Antes mesmo da chegada do trem, em 1910, o arraial de São Domingos do Cerradinho (primórdios de Catanduva), foi elevado à condição de Distrito de paz, subordinado ao município de São José do Rio Preto, por força da Lei nº 1188, de 16.12.1909, com a denominação de Villa Adolpho (1909 a 1918), topônimo escolhido em homenagem ao mineiro Coronel Adolpho Guimarães Corrêa, então Prefeito Municipal e influente chefe político daquela cidade. Anexo fotos do Coronel e sua família e  vasto material e documentos de cartório mostrando a existência do nome de Villa Adolpho.

Quem foi o Coronel Adolpho Guimarães Corrêa 

Coronel Adolpho Guimarães Corrêa, (1873-1943) era mineiro de Aiuruoca, mudou para Rio Preto atraído pelo tio, Ezequiel Guimarães Corrêa, que havia sido vereador e presidente da Câmara em Jaboticabal. Em Rio Preto, Ezequiel tornou-se advogado da Câmara, foi eleito Juiz de Paz e ocupou o cargo de juiz de direito substituto. Adolpho representa a figura do próprio Coronel. Iniciou sua carreira na cidade como professor da Escola Municipal, nomeado por Pedro Amaral, seu padrinho de casamento. Adolpho casou com a prima, filha de Ezequiel. Ficou pouco tempo no cargo de professor, pediu demissão e rompeu politicamente com o padrinho Pedro Amaral. Ele sonhava alçar o seu próprio voo.

Ambicioso e determinado, o coronel Adolpho fundou em 1899 a Loja Maçônica Cosmos, da qual foi o Venerável Mestre por anos seguidos. Em 1901, fundou o primeiro órgão de imprensa da cidade: a revista Cosmos, que saiu quatro vezes. O ano seguinte, em 1902, ele foi a Jaboticabal e comprou maquinário de imprensa, colocou em cima de um carroção de boi e andou para Rio Preto, fundando o primeiro jornal da cidade: O Porvir. Junto com as máquinas trouxe o primeiro tipógrafo para a cidade, Cincinato Homem.

Homem de visão, o coronel Adolpho aliou-se ao engenheiro italiano Ugolino Ugolini, seu colega de maçonaria, para obter da Câmara Municipal uma concessão para construir uma linha de bondes, ligando Rio Preto ao Salto de Avanhandava, onde os dois parceiros comerciais pretendiam, também por concessão, construir uma usina de eletricidade. Os projetos do Coronel e do engenheiro Ugolini infelizmente não saíram do papel.

Ao ganhar o poder político em 1901, o coronel Adolpho assumiu o controle da cidade. Enquanto a figura de mando maior era o do presidente da Câmara, ele foi presidente. Quando, em 1908, surgiu a figura do prefeito, desaparecendo o cargo de intendente, ele se tornou prefeito. De direito, o coronel Adolpho foi o primeiro prefeito de Rio Preto. No total, ele dominou Rio Preto por 12 anos e sete meses.

Com tanto poder, ele chegou a ser nome de rua e de cidade. Nos primeiros anos do século XX a Rua Bernardino de Campos levou o seu nome. Também Catanduva, durante bons anos, chamou-se Vila Adolpho em sua homenagem. Como prefeito de Rio Preto, ele batizou Tanabi, que era um distrito rio-pretense e se chamava Jataí.

Como presidente da Câmara e como prefeito, o coronel Adolpho deixou várias reinvindicações ao governo estadual e por meio de seus escritos é possível fazer um retrato do que era Rio Peto há 100 anos e de como ele, chefe político via a situação tanto local como nacional. Num dos seus escritos ele previu a construção de avenidas ao longo das margens dos córregos Canela e Borá como fator de desenvolvimento da cidade.

Dono de jornal, o coronel Adolpho tinha interesse diretos no comércio. Para ele, quanto mais o comércio se fortalecesse, melhor para o seu jornal. Na presidência da Câmara, chefe absoluto do poder político na cidade, ele procurou derrubar todas as leis que pudessem, de uma forma ou de outra, atravancar o livro desenvolvimento do comércio. São célebres suas correspondências ao governo estadual, registradas nas atas do Legislativo, em defesa do desenvolvimento econômico de Rio Preto.

Matéria de Lelé Arantes e Antônio Carlos Parise - 80 anos da ACIRP, ano 2000.  


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