Villa Adolpho
Pesquisa de Nelson Bassanetti (Explicação do nome de Villa Adolpho)
Antes mesmo da chegada do trem, em 1910, o arraial de São Domingos do Cerradinho (primórdios de Catanduva), foi elevado à condição de Distrito de paz, subordinado ao município de São José do Rio Preto, por força da Lei nº 1188, de 16.12.1909, com a denominação de Villa Adolpho (1909 a 1918), topônimo escolhido em homenagem ao mineiro Coronel Adolpho Guimarães Corrêa, então Prefeito Municipal e influente chefe político daquela cidade. Anexo fotos do Coronel e sua família e vasto material e documentos de cartório mostrando a existência do nome de Villa Adolpho.
Quem foi o Coronel Adolpho Guimarães Corrêa
Coronel Adolpho Guimarães Corrêa, (1873-1943) era
mineiro de Aiuruoca, mudou para Rio Preto atraído pelo tio, Ezequiel Guimarães
Corrêa, que havia sido vereador e presidente da Câmara em Jaboticabal. Em Rio
Preto, Ezequiel tornou-se advogado da Câmara, foi eleito Juiz de Paz e ocupou o
cargo de juiz de direito substituto. Adolpho representa a figura do próprio
Coronel. Iniciou sua carreira na cidade como professor da Escola Municipal,
nomeado por Pedro Amaral, seu padrinho de casamento. Adolpho casou com a prima,
filha de Ezequiel. Ficou pouco tempo no cargo de professor, pediu demissão e
rompeu politicamente com o padrinho Pedro Amaral. Ele sonhava alçar o seu
próprio voo.
Ambicioso e determinado, o coronel Adolpho fundou em
1899 a Loja Maçônica Cosmos, da qual foi o Venerável Mestre por anos seguidos.
Em 1901, fundou o primeiro órgão de imprensa da cidade: a revista Cosmos, que
saiu quatro vezes. O ano seguinte, em 1902, ele foi a Jaboticabal
e comprou maquinário de imprensa, colocou em cima de um carroção de boi e andou
para Rio Preto, fundando o primeiro jornal da cidade: O Porvir. Junto com as
máquinas trouxe o primeiro tipógrafo para a cidade, Cincinato Homem.
Homem de visão, o coronel Adolpho aliou-se ao
engenheiro italiano Ugolino Ugolini, seu colega de maçonaria, para obter da
Câmara Municipal uma concessão para construir uma linha de bondes, ligando Rio
Preto ao Salto de Avanhandava, onde os dois parceiros comerciais pretendiam,
também por concessão, construir uma usina de eletricidade. Os projetos do
Coronel e do engenheiro Ugolini infelizmente não saíram do papel.
Ao ganhar o poder político em 1901, o coronel Adolpho
assumiu o controle da cidade. Enquanto a figura de mando maior era o do
presidente da Câmara, ele foi presidente. Quando, em 1908, surgiu a figura do
prefeito, desaparecendo o cargo de intendente, ele se tornou prefeito. De
direito, o coronel Adolpho foi o primeiro prefeito de Rio Preto. No total, ele
dominou Rio Preto por 12 anos e sete meses.
Com tanto poder, ele chegou a ser nome de rua e de
cidade. Nos primeiros anos do século XX a Rua Bernardino de Campos levou o seu
nome. Também Catanduva, durante bons anos, chamou-se Vila Adolpho em sua
homenagem. Como prefeito de Rio Preto, ele batizou Tanabi, que era um distrito
rio-pretense e se chamava Jataí.
Como presidente da Câmara e como prefeito, o coronel
Adolpho deixou várias reinvindicações ao governo estadual e por meio de seus
escritos é possível fazer um retrato do que era Rio Peto há 100 anos e de como
ele, chefe político via a situação tanto local como nacional. Num dos seus
escritos ele previu a construção de avenidas ao longo das margens dos córregos
Canela e Borá como fator de desenvolvimento da cidade.
Dono de jornal, o coronel Adolpho tinha interesse
diretos no comércio. Para ele, quanto mais o comércio se fortalecesse, melhor
para o seu jornal. Na presidência da Câmara, chefe absoluto do poder político
na cidade, ele procurou derrubar todas as leis que pudessem, de uma forma ou de
outra, atravancar o livro desenvolvimento do comércio. São célebres suas
correspondências ao governo estadual, registradas nas atas do Legislativo, em
defesa do desenvolvimento econômico de Rio Preto.
Matéria de Lelé Arantes e Antônio Carlos Parise - 80
anos da ACIRP, ano 2000.