Educação 22/08/2026

Padre César (um nome para não se esquecer)

 Padre César (um nome para não se esquecer)

Nelson Bassanetti

Padre César (Giovanni Cesare Cauda),  nasceu em 1923, na região de Piemonte, Itália. Fez votos perpétuos em 1944, ordenou-se presbítero em 1948, veio para ao Brasil  ainda jovem, junto com outros padres da Doutrina Cristã e para Catanduva em 1949. Foi morar num simples barracão que tinha sido máquina de arroz na esquina das ruas Maranhão e Recife, adaptou o prédio para um Pensionato e logo em seguida iniciou o curso primário para crianças do sexo masculino. com o nome de Ginásio “Dom Lafayette”, em homenagem a Lafayette Libãnio. Bispo da Diocese de São José do Rio Preto. Era empreendedor e passou por dificuldades, mas sempre com ímpeto de ensinar e crescer a escola passou a receber alunos dos dois sexos e fez uma promessa para aumentar o número de alunos e quando atingiu 1.000 alunos em 1988, passou a Escola para o nome de “Jesus Adolescente”.

Quando aqui chegou, o Padre César revolucionou a criançada com a sua “missa das nove”, tinha vivacidade, entusiasmo, cantava, gesticulava, e junto com professoras da escola dava aulas de catecismo após a missa de domingo e distribuía santinhos, introduziu o microfone, andava de lambreta pela cidade e para aumentar a receita resolveu montar um cineminha.

A invenção era simples, a projeção de filmes no salão que existia nos fundos do Pensionato. Arriscou novas despesas, montou o salão, comprou as cadeiras, máquina e começou a funcionar com filmes alugados do Trida. Eu ia à missa, ao catecismo e às matinês de domingo, isso em 1953/1957. 

Tinha só uma máquina de  projeção, a cada parte do filme havia uma pausa para a troca do rolo, oportunidade para o banheiro.

Ele anunciava os próximos filmes e os  cartazes ficavam afixados na Rua Maranhão, defronte à entrada do Pensionato. E todo mundo gostava dos filmes de Roy Rogers, Tarzan, Gordo e Magro ou dos Três Patetas.

O salão tinha capacidade para 160 pessoas e sempre  lotado, às vezes com gente nos corredores, e com freguesia firme O preço era bem camarada e nas matinês ainda valiam os “cartões de catecismo” que era uma forma de “puxar” a meninada para ir à missa e frequentar as aulas de catecismo

Muitas coisas interessantes aconteceram durante seus sete anos de funcionamento. Uma delas era a bronca da assistência quando o mocinho beijava a mocinha ou quando apareciam artistas com as pernas de fora ou com pouca roupa e o Pe César ficava passando as mãos na frente da lente de projeção e a  plateia vibrava com os mocinhos, vaiava os bandidos, ria  nas comédias ou chorava como a “Paixão de Cristo”

Padre César voltou para a Itália em 1997, viveu em Turim, dando seu testemunho de religioso, tinha saudades de Catanduva e que seguramente o enriqueceu, o dignificou e se tornou precioso diante de Deus. Morreu em 2006, em Turim, junto aos seus confrades.

Muitos aqui em Catanduva se recordam dele com saudade e dão graças a Deus pela sua vinda ao Brasil, tinha energia criadora e usou seu carisma para a formação humana cristã nos jovens.

Seu nome é um orgulho para a cidade, e pilar para  inúmeros jovens que com os seus bons ensinamentos frutificaram na vida. A ele, a nossa  eterna gratidão. 

Pesquisa de Nelson Bassanetti em várias fontes e artigo do Professor Sérgio Bolinelli.

 

 

 

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