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Data de Publicação: 04/10/2020
O Coronel, o frei e o pai da aviação.
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(O que pretendia Santos Dumont ao apear do seu cavalo em frente à Igreja de Pindorama”  Seria outra forma de conexão com os céus?)

No início da década de 1920, Alberto Santos Dumont já era uma personalidade internacional após assombrar o mundo. Provando que era possível voar usando um aparelho mais pesado que o ar. Um feito alcançado em 1906, em Paris, levando o homem a conquistar os céus. Mas ao apear do seu cavalo em Pindorama, uma terça feira do dia 14 de junho de 1921, o pai da aviação talvez buscasse outra forma de conexão com os céus. Quem sabe soubesse apascentar os fantasmas que o perseguiam desde que vira seu maior invento se transformar em máquina de guerra.

Veio para uma visita ao seu amigo, o coronel José Corrêa dos Santos, que quatro anos mais tarde viria a ser o primeiro prefeito daquela cidade. José Corrêa dos Santos era o maior fazendeiro de Pindorama e tinha terras também na vizinha cidade de Santa Adélia, onde Luiz dos Santos Dumont, irmão do inventor, ostentava o título de rei do café com mais de 1 milhão de pés plantados.

Consta que Santos Dumont fez questão de ir até à Igreja Matriz de Pindorama, então canonicamente uma Capela erguida em louvor a Santo Antônio, para rezar diante do Santíssimo. Conversou com o Padre, Frei Theodoro Beá, e o convidou para se juntar ao grupo num almoço frugal no Hotel Scatena.

Às 14 horas voltou à cavalo para Santa Adélia, donde foi para o Rio de Janeiro e de lá, pouco tempo depois, para a França, mesmas terra e céu que viram primeiro Santos Dumont decolar, voar e pousar o 14 Bis quinze anos antes, em 23 de outubro de 1906.

A visita à Pindorama infelizmente carece de registros históricos mais detalhados devido à precariedade da época, sem fotos, sem imprensa local, nada! Esta passagem só não passou totalmente à margem absoluta porque o professor, advogado e escritor Pindoramense Dayber Giménez fez as vezes de um repórter informal a serviço da história.

“Eu ouvi o relato sobre essa passagem de Santos Dumont e anotei tudo através de um querido amigo e pároco local, o padre Simón Azpeitia Perez, que tinha o diário de Frei Beá – o registro das visitas da  paróquia daqueles tempos. Dessas anotações saíram as informações que dão conta do evento”, relata Giménez.

O curioso é que o genial inventor não professava socialmente uma religião. Segundo o escritor inglês e roteirista de cinema Paulo Hoffman, autor da biografia “Asas da Loucura”: a extraordinária vida de Santos Dumon, o patrono da aviação não era de frequentar Igrejas e não falava em Deus. Mas era um visionário em outro sentido.

“Ele queria que todas as pessoas experimentassem a emoção de voar. Ele acreditara em uma espécie de espiritualidade aérea. Achava que as pessoas ao voar, sozinhas lá no alto teriam a oportunidade de enxergar o mundo de outra perspectiva e perceber quem elas realmente eram. Voar, para ele, era uma experiência pessoal intensa, que podia mudar a vida das pessoas. Por isso ele nunca patenteou suas invenções”, diz Hoffman, que foi presidente da Enciclopédia Britânica e editor da revista científica Discover, instigado pela história de Santos Dumont após um amigo recém chegado do Rio de Janeiro comentar que os Brasileiros tinham certeza de que os Irmãos Whight não foram os primeiros a voar.

A Paróquia do Frei

A capela visitada por Santos Dumont  mudaria de feições a partir de 1928, ainda com a presença do Frei Theodoro Beá. Foi quando teve início a construção da futura matriz. A pedra fundamental foi lançada em 14 de outubro de 1928. Dario Cordovil Guedes foi o engenheiro responsável pela edificação, iniciada de fato em 1929, sob a direção dos Padres Agostinianos Recoletos, de origem espanhola. Em 22 de julho de 1931, o Bispado de Rio Preto, por intermédio de Dom Lafayete Libânio (o primeiro bispo rio-pretense – aquele que aqui chegou de trem!), assinou o decreto de fundação da paróquia, sendo encarregado dela, na ocasião, o frei Thomás Martinez do Carmo.

Uma outra visita

O Professor destaca que a exemplo das prósperas fazendas de café em Santa Adélia, do qual se despontava a Santa Sophia, do irmão de Alberto dos Santos Dumont, Pindorama também era muito rica naquela época em que o pai da aviação esteve por lá.

“A cidade escoava toda a produção de café e algodão desta zona do Centro-norte Paulista e chegou a deter o então 15º maior PIB do Estado”, diz Giménez.

Consta, segundo ele que em 1929, o multimilionário Francisco Matarazzo, então maior industrial da América Latina visitou a cidade querendo instalar as suas indústrias. “O prefeito da época não deixou porque Matarazzo era filiado ao Partido Republicano e, ele ao Partido Republicano Paulista, o mesmo do então governador do Estado que, desconfiado, queria evitar uma candidatura rival do empresário e de tudo fazia ao seu alcance para impedir a popularidade do Conde no interior Paulista”, afirma o historiador.

O resultado é que Matarazzo levou seu projeto para a então Vila Adolpho. “Vale recordar que Pindorama naqueles tempos tinha uma estação Ferroviária duas vezes maior que Catanduva, uma vilinha rural com quase 1 mil habitantes a menos que Pindorama e uma estrutura consideravelmente inferior.  Catanduva agarrou a chance, aproveitou a oportunidade, cresceu e prosperou”, conta Giménez.

(Observações de Nelson Bassanetti, 1) Acredito que as informações sobre a população de Pindorama e Catanduva deve ser de 1910, quando o trem chegou por aqui e Catanduva tinha o nome de Vila Adolpho; 2) em 1934, o censo paulista fala que Pindorama tinha 3.460 habitantes na cidade e 10.602 no município ocupando a 177ª  posição no Estado de São Paulo e Catanduva 12.328 na cidade e 31.666  no município ocupando  o 47º lugar; 3) Francisco Matarazzo instalou a sua indústria em Catanduva em 1936 e esteve na Cidade Feitiço  em 08.05.1936, e na sua volta para São Paulo  passou por Pindorama, onde visitou o Padre Antônio  Del Pozo e a Igreja de Santo Antônio em fase de acabamento e deixou uma doação)

Artigo de Marival Corrêa, Jornal “Diário da Região” de Rio Preto de 04.10.2020

 

 

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