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Data de publicação: 12/06/2018    |    Enviar por e-mail   |   Imprimir   |   Tamanho do Texto:     |   Compartilhar:    
Data de Publicação: 12/06/2018
1936 - Visita de Francisco Matarazzo a Catanduva (3 fotos)

Colônia Industrial em Catanduva

Nos anos de 1930, na nossa região se cultivava o algodão, existindo aqui vários cotonifícios que compravam esse produto para as empresas Votorantin, Sanbra, Anderson Clayton, e Matarazzo. Pensando na industrialização do algodão, o prefeito da época Coriolano de Oliveira Mello, foi a São Paulo negociar e conseguiu trazer para Catanduva a “IRFM – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo”. Em abril de 1936, sob a gerência do Sr. Modesto Carone, com 130 empregados, ela entrou em funcionamento já com moinho de sal, refino do querosene Pantera  e engarrafamento do óleo Sol Levante. Em 08.05.1936, o Conde Francesco Matarazzo, na época com 82 anos, veio nos visitar e foi recepcionado pelo prefeito Coriolano de Oliveira Mello, pelo nosso deputado estadual Dr. Renato Bueno Netto, pelo vice-cônsul da Itália Dr. José Záccaro, pelos srs. Vicente Lanzieri e Ettore Bertelli da Sociedade Italiana e Antonio Záccaro, Ângelo Zancaner e Padre Albino. À  noite, na Sociedade Italiana “Gabriele D’Annunzio” participou de reunião cívica onde foi saudado, discursou e  no fim aclamado pela imensa multidão que se resignava diante do homem tão altivo, que impunha o respeito pela postura e uso de poucas palavras e o  idolatrava, pois encarnava a figura do imigrante que deu certo, que pelo seu pioneirismo gerou produção, emprego e riqueza, cujo patrimônio estimado em 20 bilhões de dólares, nos dias de  hoje seria  a  5ª maior fortuna do mundo. Em sua homenagem,  o prefeito João Righini, pela Lei nº 1189 de 23.12.1970, denominou a primeira quadra do Parque das Américas, “Praça Conde Francisco Matarazzo”, que perdurou por alguns anos, já que no local se construiu o prédio do Paço e Câmara Municipal

fRANCESCO MATARAZZO

O grupo Matarazzo hoje é um registro histórico, mas nos anos de 1920 constituíam um império com 365 fábricas e 30.000 empregados e seus produtos faziam parte do dia-a-dia do brasileiro.  Com quase 1,90 metro de altura, Francesco (Francisco) Matarazzo, seu dono, era daqueles homens de elegância nata, usando ternos impecáveis e cuja fisionomia era típica dos homens do sul da Itália, onde nasceu em Castellabate, a 9 de março de 1854. O pai médico morreu quando ele tinha 18 anos e, sendo o primogênito, abandonou os estudos para sustentar a família. Em 1881, empurrado pela crise econômica que devastava o sul da Itália, resolveu vir para o Brasil, um país a ser construído e que importava de tudo: vidro, máquinas, ferro, cimento, batata, manteiga, toalha, cerveja, tinta, prego, papel e até foice. Emprestando dinheiro,  abriu uma venda em Sorocaba, onde o campeão de vendas era a banha de porco importada usada para conservar alimentos e, com o sucesso obtido, passou a fabricar esse   produto, já que porcos não faltavam e bastava um caldeirão no fundo do quintal para derreter a banha.  O segredo está na compra e não na venda, dizia com a propriedade de quem sabia negociar no atacado como ninguém. Em 1890, já com a família vinda da Itália, partiu para a capital paulista, estabelecendo-se na região do Brás. Quando a farinha de trigo faltou no País, construiu um moinho e seu faturamento cresceu absurdamente. Em 1920, ergueu o primeiro Parque Industrial no Brasil, na Água Branca, zona oeste de São Paulo e, numa área de 100 mil metros quadrados, reuniu serraria, refinaria, destilaria, frigorífico, fábrica de carroças, de sabões, perfumes, adubos e  inseticidas, velas, pregos e outras, que funcionavam com energia de uma usina própria. Símbolo da elite paulistana e líder empresarial, fundou em 1928, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do qual foi o primeiro presidente. Homem de poucas ostentações, sua única veleidade era a paixão por carros. Dizem que o primeiro Ford a circular na capital paulista foi o dele, que parava multidões quando circulava e que a rotina de horários era tal que alfaiates, barbeiros, sapateiros e comerciantes em geral acertavam os ponteiros de seus relógios de acordo com sua passagem. Figura folclórica,  foi personagem da célebre frase “Pensa que eu sou o Matarazzo?”, resposta comum que os chefes de família davam às esposas quando os gastos passavam dos limites. Pudera, a mansão na Avenida Paulista com o brasão da família à porta estava lá, imponente, numa área de 12 mil metros quadrados, para quem quisesse ver. Ele faleceu em 10 de fevereiro de 1937, com 83 anos e seus sucessores, o filho Francisco Júnior e a neta Maria Pia, não suportaram a concorrência que chegou com os anos 50, não se especializaram, vendiam de tudo sem liderar a venda de nenhum produto, então suas empresas saíram do mercado.

Pesquisas: Revista “Isto é” “Sociedade Ítalo-Brasileira Gabriele D’Annunzio” e  jornal “A Cidade” existente no  Museu Padre Albino

 

 

 

 

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